(REIS, Jonan de Castro).
Serra, serra, serradores!
Serrem o cerrado de Goiás
Quantas árvores já serraram?
Deixe-me ver...
Século dezoito, dezenove, vinte, vinte e um...
Afora as que as queimadas levaram
Restam poucas, mas a safra ainda não acabou.
O cerrado de Goiás sofre e agoniza
Com o reflexo da dinâmica colonial
Desde o surgimento das minas auríferas
Uma ocupação desarticulada e irresponsável
Concedeu o legado do apogeu em prol da mineração.
Os montes de Goiás se abalaram e ruíram
Árvores centenárias tombaram inertes
Os outeiros e planaltos em espasmos sucumbiram
Ai! Ai! Ai!
Mas não quero com este simples cântico
Enaltecer as mazelas históricas e geográficas
E abrir mão do propósito primordial
Que é fazer de minha pena um grito de pena:
Ai! Salvem o cerrado de Goiás!
Reis, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. Autor de Arremedo: Contos & Lorotas (Kelps, 2009, 122 pp), e Marcas do Infortúnio (Kelps, 2010, 334 pp). Membro da Academia de Letras do Brasil – ALB, membro da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás – ALESG, membro da Associação de Poetas del Mundo, Cônsul de Poetas del Mundo – Entorno de Quirinópolis.
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