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sábado, 15 de outubro de 2011

TESOURO PERDIDO


REIS, Jonan de Castro

Por dias e horas a fio eu vinha correndo
Gritando e chorando
A quem pudesse me ouvir
Eu chorava a perda de um tesouro
Sim —, eu chorava por aquela folha...
Mas agora...
Finalmente encontrei
Aquela folha que havia secado
Dentro do meu livro (idiota) de poemas
Os ventos uivantes vindos do Sul
Arremeteram sobre o meu livro
O qual se abriu e a folha se perdeu no ar
Depois de muitos dias encontrei-a caída na lama
Carcomida pelos vermes que infestam a Orbe
Não havia mais células de ligação
Apenas o esqueleto sem vida daquela que
Um dia fez o Poeta cantar
Mas a folha outrora tão verde agora se fora
A árvore que a produzia também se fora
Somente o livro de poemas...
Mesmo que seja (idiota)
Ainda se encontra à minha cabeceira
Quem sabe um dia
Ainda encontre outra folha
E que os ventos do Sul não me impeçam de colocá-la
Dentro do meu livro de poemas!

Reis, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. Autor de Arremedo: Contos & Lorotas (Goiânia: Kelps, 2009, 122 pp), e Marcas do Infortúnio (Goiânia: Kelps, 2010, 334 pp). Membro da Academia de Letras do Brasil – ALB, membro da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás – ALESG, membro da Associação de Poetas del Mundo, Cônsul de Poetas del Mundo – Entorno de Quirinópolis.

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