REIS, Jonan de
Castro
Por dias e horas
a fio eu vinha correndo
Gritando e chorando
A quem pudesse me
ouvir
Eu chorava a
perda de um tesouro
Sim —, eu chorava
por aquela folha...
Mas agora...
Finalmente
encontrei
Aquela folha que
havia secado
Dentro do meu
livro (idiota) de poemas
Os ventos uivantes
vindos do Sul
Arremeteram sobre
o meu livro
O qual se abriu e
a folha se perdeu no ar
Depois de muitos
dias encontrei-a caída na lama
Carcomida pelos
vermes que infestam a Orbe
Não havia mais células
de ligação
Apenas o
esqueleto sem vida daquela que
Um dia fez o
Poeta cantar
Mas a folha outrora
tão verde agora se fora
A árvore que a
produzia também se fora
Somente o livro
de poemas...
Mesmo que seja
(idiota)
Ainda se encontra
à minha cabeceira
Quem sabe um dia
Ainda encontre
outra folha
E que os ventos
do Sul não me impeçam de colocá-la
Dentro do meu
livro de poemas!
Reis, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista.
Autor de Arremedo: Contos & Lorotas (Goiânia: Kelps, 2009, 122 pp), e
Marcas do Infortúnio (Goiânia: Kelps, 2010, 334 pp). Membro da Academia de
Letras do Brasil – ALB, membro da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de
Goiás – ALESG, membro da Associação de Poetas del Mundo, Cônsul de Poetas del
Mundo – Entorno de Quirinópolis.
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