Pesquisar este blog

terça-feira, 19 de julho de 2011

SEM SENTIDO


Sandra Mello[1]

Estúpida é a dor que sinto, e a sinto estúpida somente por ainda, então, não saber de fato qual adjetivo devo atribuir-lhe...

Enquanto nada o sei, a não ser o sentir (bem mal), continuo rotulando de estupidez o que me vale hoje no interior talvez quase certo o esconderijo profundo interior de meu pensar, pois de sentir não se faz necessário dizer, o fato está agora aqui... Eternizado até que o tempo lhe dê chances, nas páginas deste.

Ainda estou fora do rumo e esta é a única certeza de que não estou no caminho certo, pois do pouco que bem sei, não é aqui e nem hoje.

O lado bom (se é que tem) de ser e estar aqui, sabendo que não é o certo, é poder continuar procurando. A busca cansa; se desiste, não sei; quando o souber, todos saberão. Nem sempre a luta acaba quando se chega ao objetivo. Quem perde a batalha, chegou ao fim, mas não por ela, alguém ganhou e por esta razão findou-se a batalha.

De quem perdeu fala-se pouco, ninguém vai atrás de saber de como ficou sua vida depois da derrota, só sabe-se que a batalha acabou, pois houve vencedor... É patético, pois é óbvio que alguém ganhou, foi em cima de alguém que perdeu para que ele ficasse com os méritos.
Então, sem perdedores, não há como ser vencedor.

Acolho-me hoje a mim mesma, pois os pensamentos... Não sei se há alguém que consiga entender, decifrar jamais.

Corroo-me em dias lentos, que ágeis são apenas para facilitar a cronologia do meu sofrimento, mas para apartar-me de tal desespero parece este tranquilizado, inerte e petrificado.

A solução eu sei não se aproxima, a não ser, é claro, as inúmeras chances de romper a tudo, tudo, totalizando tudo mesmo, e mais nada.
Porém, as chances são tantas, mas a coragem, no entanto acovarda-se sempre... Só espero ser covarde por mais tempo, pois há da coragem aparecer para tudo mais ter fim.
É preciso coragem para sermos, também, covardes.

Meu silêncio ininterrupto, insolável, egoísta, quase nem mesmo a mim permito ouvir, nem falar e... Só sentir, mesmo sem sentido, sem ter tido, sem ter dito, só sentido... Sem tido...

Sem tudo e ao mesmo tempo... Sem nada.


[1] MELLO, Sandra. Acadêmica, Curso Análise de Sistema – São Paulo – SP.

Um comentário:

  1. "Quem perde a batalha/chegou ao fim, mas não por ela/alguém ganhou e por esta razão findou a batalha".
    Sandra, a cada dia eu me empolgo ainda mais com a grandeza da literatura. Cada texto é um texto, é um intertexto, é um supertexto. Eu analisei esse fragmento de seu texto sob a ótica do texto de Fábio Jr.: "O campeão se mostra na derrota/na força de lutar quando já cansou"... Por mais que o texto é antigo ele se renova na mente de cada um que o sente como eu senti. Parabéns!

    ResponderExcluir