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domingo, 9 de janeiro de 2011

O PRIMEIRO BEIJO



J. Castro[1]
                  
Aquela morena alta sempre me olhava de um modo diferente. Era um olhar sugestivo, perturbador, puro e sem preconceito.
Aos domingos ela descia para a igreja com aquele seu andar felino, calculado, provocante, sapatos de saltos altos combinando com a sua estatura, cabelos castanhos longos, sempre a alisá-los, num espontâneo convite mudo. Eu podia sentir o seu inebriante perfume que fendia os ares e feria minhas narinas, num delicioso toque que entorpeciam os meus sentidos.
Mas eu era um rapaz muito tímido, apesar de recém-chegado da capital. Tão tímido que era, morria de vergonha de conversar com aquela moça. Para mim era algo inalcançável. Era como uma estrela que surgia para alumiar o meu caminho, mas eu não poderia tocá-la. Apenas admirá-la. Havia um enorme abismo entre nós. Eu estava a milhares de anos-luz daquela moça, que passara a fazer parte dos meus sonhos. Mas a timidez me consumia por dentro. Até que um dia, cingi-me de uma coragem sobrenatural e me aproximei, com o incentivo de algumas amigas que até então eu havia cultivado.
Era festa de pecuária e a cidade estava agitada. Os jovens envergavam suas vestimentas típicas para a ocasião. Ela me convidou para ir à festa, pensa?! Aceitei prontamente, com o coração acelerado. À noite, passei em sua casa e fomos à festa. Andamos juntos naquele aglomerado de pessoas que se acotovelavam e, na iminência de perdê-la de vista, segurava-lhe no braço, para logo a soltar como se tivesse tomado um choque elétrico.
 Era grande a minha felicidade, embora eu estivesse muito nervoso, porque nunca tivera uma experiência antes. A timidez e o medo ainda impunham os seus limites. Ela estava esplendidamente linda, com um vestido branco que moldava seu corpo bem proporcionado ante meus olhos cintilantes de tanta admiração. Era a figura de uma deusa. Eu sentia-me orgulhoso em ter aquela garota por companhia; uma moça que era admirada e disputada por muitos rapazes mais bonitos do que eu, e socialmente melhores posicionados.
Lembro-me que um dia eu estava indo para o colégio juntamente com uma colega de sala, quando vi que aquela moça descia a avenida. Vi quando um carro passou  e parou logo após a esquina para esperar por ela. Era um fã. Vi também quando ela passou para o outro lado da rua e, então, o rapaz a chamou. Lembro-me até o nome dele, mas deixa pra lá. Não gosto dele, mesmo!...  Quando cruzei a avenida, olhei de relance e vi que o filho da mãe tentava puxá-la para perto de si. Ela se desvencilhou das mãos de urso que a segurava e continuou a andar. Trinquei os dentes de raiva, pedi desculpas à minha colega e fui socorrê-la. Dei a volta no quarteirão, a pé, e tornei a passar pelo local. Ele desconfiou do blefe e resolveu ir embora. Pude segui-la com o olhar até ver que o perigo havia passado. O cara era louco por ela.
No entanto, agora ela estava comigo. E eu não queria perdê-la. Não prevalece a lei do mais forte? Pois eu era um vencedor. Lutava com todas as forças que possuía, pois lutava contra mim mesmo, contra os meus próprios preconceitos e minhas incertezas.
Assistimos a um show sertanejo, passeamos pela praça do parque agropecuário, e as horas passaram rapidamente. De repente, era quase meia noite!...
— Vamos embora? — Ela convidou.
— Que pena! — suspirei.
Seu pai era um homem forte, sistemático, rosto constantemente vermelho denotando tédio, muito radical. Inclusive, na época mostrava indícios de preconceito racial e isto mexia muito com meus brios. Era um quarentão que, quando contrariado em seus caprichos, parecia um urso enjaulado. Comparando a minha estatura franzina com a sua compleição avantajada, dir-se-ia que era uma formiguinha enfrentando um elefante. Além do mais, já era tarde. Precisava mesmo levá-la em casa.
Saímos por aquelas ruas apinhadas de pessoas e de barracas de ambulantes que vieram de longe em busca da defesa do pão cotidiano e se instalaram ali. Alguns já dormiam, outros ainda apregoavam àquela massa de transeuntes as suas mercadorias. No percurso até sua casa não rendeu mais do que assuntos sem importância.
Chegamos a casa.
Seus pais já repousavam, porém não estavam dormindo até àquela hora à espera da filha. A moça entrara em casa para avisar que havia chegado inteira e voltou para junto de mim. A timidez aguçou a adrenalina que circulava pelas minhas veias, quase sopitando em minhas têmporas.
Na porta de sua casa havia uma árvore frondosa, de folhas miúdas, e debaixo da árvore, um banco de madeira rústico.
Sentamos.
Uma gostosa brisa balançava sutilmente as folhas da árvore, filtrando os escassos raios da luz do luar, suscitando reflexos dos seus cabelos castanhos e do seu vestido impecavelmente branco. Conversamos sobre assuntos banais.
A rua naquele momento estava deserta e ouvíamos apenas o trilar dos grilos e o barulho de cães que ladravam à distância. Em algum poleiro da vizinhança um galo cantou. Depois outro e mais outros. Tudo era calmo e sereno à nossa volta. Ela chegou mais perto de mim e encostou o seu rosto no meu ombro, num silencioso pedido de amparo. Seu perfume suave foi como um bálsamo. Uma doce sensação de torpor subiu pelo meu corpo, indo até o cérebro. Aspirei aquela fragrância entorpecente. Fechei os olhos.
— Meu Deus! — quase gritei.
Pensei que o meu coração fosse saltar para fora. Eu podia ouvir nitidamente as batidas fortes de um tambor dentro do peito. Ela olhou para mim, abriu os lábios e fechou os olhos. Naquela hora o mundo desabou, abalando todas as minhas estruturas. Nossas bocas se encontraram num contato alucinado, urgente, sôfrego e eletrizante. O vulcão até então abafado dentro de mim, explodiu-se numa erupção devastadora, soltando lavas de prazer por todos os poros. Era o primeiro beijo de um encontro que jamais teve fim.
Venci todas aquelas incertezas, lutei contra o preconceito e conquistei o meu espaço na família. Aquele encontro tão marcante completou vários aniversários, e aquela moça, aquela deusa que tantos sonhos me fez sonhar, é hoje a mulher que amo. É ela a mãe dos meus filhos.


[1] REIS, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. É autor de Arremedo: Contos & Lorotas (122 pp.) e de Marcas do Infortúnio (332 pp.).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

AUSÊNCIA

Dan Rodrigues[1]

Uma rosa, um espinho
Um carinho com amor
Um perfume perigoso
Traz um suspiro embriagador.

Um beijo roubado
Um amor sem cuidado
Um ser controlado
Titubeia de dor.

Um ciúme descompensado
Uma posse sobre o ser adorado
Um sentimento sufocado
Desabrocha como flor.

Um presságio sentido
Um intelecto dividido
Um coração sofrido
Traz o amor  sentido.


[1] RODRIGUES, Danúbia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DIVAGAÇÕES...


(J. Castro) [1]



Esvai-se o dia como vapor,
A alma gêmea se aproxima como sombra.
Estremeço.
Para além-trevas, divaga o poeta:
Não sei voar...
Não aprendi a nadar...
Agora, quero velejar!
Um dia, fui um pensamento,
Não sei se nobre ou devasso.
Outro dia, um ato de paixão
Ou de violação?
Depois...
Um líquido viscoso,
Cuspido no útero de uma mulher:
Era eu...
Se sou filho legítimo,
Não sei.
Se príncipe ou anuro,
Só o tempo dirá.
Será que sou rico, ou miserável?
Isto importa?
Quem sabe?!...
Sei que há um caminho
E uma pedra.
Drummoniana.
Nos desvios, cardos, farpas e pedregais
Afinal, aonde quero chegar?
Sei que debalde não nasci,
Tenho uma missão na terra,
Vou partir.
Adeus!
(...).
Adeus!
(...).
Ninguém responde?
— Ande, despeça-me,
Antes que o Sol se ponha
E a Noite interrompa
O meu caminhar!



[1]REIS, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. Membro da ALB Academia de Letras do Brasil/GO, membro da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás, membro da Associação Internacional de Poetas Del Mundo, Cônsul de Poetas Del Mundo, Entorno de Quirinópolis. Autor de Arremedo: Contos & Lorotas (Contos) e de Marcas do Infortúnio (Romance).

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DESPEDIDA


J. Castro[1]

Parta! Não é isto o que quer?
Se não for pedir demais
Peço-te para não chorar
Tuas lágrimas não me comovem mais
Sei que o juramento foi quebrado
Em prol de uma sentença que era somente tua
Cessaram-se os beijos ardentes
Os abraços outrora calorosos não aquecem jamais
O cheiro almiscarado de tua pele
Esvaiu-se como vapor ao calor do sol da manhã
Tributou-se o riso espontâneo
E alforriou-se o pranto
Meu coração de Jônatas, tão apegado a Davi
Despedaçou-se como cristal
Mas não lhe guardo rancor
Apenas a lembrança do quanto
Significou em minha vida.
Vá!











[1] REIS, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. Membro da Academia de Letras do Brasil – ALB, membro da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás - ALESG, Cônsul Poetas del Mundo, Entorno de Quirinópolis.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DESILUSÃO!


Danúbia Rodrigues[1]


O ar frio da noite
Calmo e sereno
Fere-me como um açoite
Tua lembrança me envenena
Tuas palavras outra hora ditas,
Hoje tão longe
Fez-me pessimista
Chego a acreditar que esconde
A verdade fria e cruel
Daquilo que para mim foi real
Tu me prometeste o céu
Mas foste apenas banal
Há quanto tempo venho sorrindo
Já sem nenhum brilho no olhar!
Venho-me sentindo assim
Simplesmente por te amar.




[1] RODRIGUES,  Danúbia. Poema criado em 2002.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A MISSÃO DE GABRIEL


J. Castro[1]

— Gabriel! — chamou.
— Sim. Gabriel estava em pé, de cabeça baixa, em sinal de respeito. O ancião continuou:
— Chegou a hora. Lembra daquele pacote?
— Sim.
— Vá! Encontrará tudo o que precisa num envelope pardo por fora da caixa. Ele aquiesceu. Ao virar as costas para partir, o ancião o advertiu:
— Leve também a sua capa.
— Sim, senhor — ele respondeu e partiu.
A noite não estava de todo fria, porém chovera torrencialmente desde o anoitecer. A cidade de São Paulo sugeria a arca de Noé em proporções gigantescas, aguardando o momento certo para flutuar em sua base e deslizar serenamente rumo ao monte de Ararat. Mas agora a chuva cessara quase por completo, o bastante para que o condutor do veículo parado em frente à garagem de Emma abrisse a porta do carro e saísse. Possuía uma compleição avantajada para os seus trinta e oito anos, aproximado. A pele negra se fundia com o terno que ele usava sobre uma camisa de cor palha. A gravata de poliéster possuía listras transversais nas cores vermelha e palha que, em conjunto com a vestimenta e os sapatos transmitiam ao observador atento a segura impressão de fino gosto. O homem e a roupa formavam uma combinação de beleza e muito bom gosto na escolha dos acessórios.
Emma trabalhara até mais tarde no jornal e só agora, quase meia noite é que ela conseguia chegar à sua casa, desviando-se das ruas alagadas pela enxurrada que descia dos morros violentamente, em busca dos bueiros transbordantes de espuma e entulhos. Sua filha, Florisbela (como grande parte dos filhos das mulheres independentes), tinha ficado com a avó materna, até que ela voltasse do trabalho com um abraço de muita saudade pelo dia todo fora de casa. Era uma compensação ansiosamente esperada por ambas. Emma virara a esquina da sua casa, uma música clássica no som de seu carro. Mas, ao ver outro veículo parado do outro lado da rua ela passara direto, como medida de precaução. Aliás, esta é uma prática fundamental para sobreviver em grandes centros urbanos onde grassa a violência. Ao notar algo estranho ou alguém desconhecido em atitude suspeita, a prudência ensina a dar a volta ao quarteirão. Porém, se desconfiar de algo é melhor ligar para a polícia a correr o risco de cair em uma emboscada. A cidade de São Paulo não deixava nada a desejar em se tratando de violência.
Vendo aquele veículo parado, o primeiro pensamento que lhe viera à mente foi se sua filha estaria bem. Seria isto um mau pressentimento, ou apenas fantasia da sua cabeça? Ela admitiu que estivesse necessitando de umas férias. Pensando assim, ela dera a volta ao quarteirão e, ao chegar à mesma esquina ela viu que o homem havia descido do carro e já abria a porta traseira do furgão. O coração da moça disparou, na medida em que ela tirava o pé do acelerador, pronta para saltar. Era um negro de ombros largos, alto e forte. Algo não estava certo.
Emma ficou dividida entre passar devagarzinho espiando ou enfrentar o perigo para se certificar que sua filha não corria perigo. Mas a prudência a fez parar a uma distância segura e aguardar. Fosse o que fosse ela ainda tinha a segurança do seu carro. No entanto, como não havia mais ninguém por ali, não era sensato ficar esperando por não se sabe o quê. Ela precisava se movimentar.
Quando ela ia engrenar a marcha, algo lhe chamou a atenção. O homem ergueu em seu ombro um pequenino ataúde de madeira, revestido com uma mortalha branca. A brancura do tecido contrastava com a cor da cútis do homem que conduzia o pequeno caixão. Todos os pensamentos de Emma se voltaram agora para a cena tétrica que se descortinava ali, bem à sua frente. Na incerteza de sua própria existência, a moça especulou para quem seria aquele pequeno ataúde, se para um menino ou menina. Quem seria a mãe daquela flor ainda em tenro botão.  Ela nem sequer sabia se havia alguma mulher grávida por ali. Emma deixou de lado esses questionamentos, ao constatar que em cidades grandes, como São Paulo, ninguém tinha tempo de conhecer o vizinho do mesmo lote, ou apartamento, muito menos de outra quadra. No entanto, ela se lembrou que do outro lado do campinho de futebol havia uns casebres improvisados, que ela chegara a duvidar se resistiria a mais uma chuva daquelas, ou se ainda morava alguém dentro deles. O personagem do furgão fechara a tampa traseira e saiu andando com passos firmes rumo àquele amontoado de casas, levando aos ombros o pequeno caixão. Emma correu a abraçar a sua filha e voltou a espiar pela janela. Em momento algum ela vira o homem fazer muxoxo, ou rezar algum impropério devido ao mau tempo. Ao contrário, sua boca insinuava um leve sorriso. Apesar do caixão, notava-se que ele não era agente funerário, pois muitos agentes possuem cara de coiote. A chuva havia engrossado sobremaneira, como que querendo impor sua presença, mas ele tinha um olhar determinado, como o olhar de quem tem uma missão muito importante a cumprir e o faz com o devido respeito para com aquele que o ordenou. O homem desapareceu por detrás de uma das traves do campo de futebol. Parecia que carregava nos braços musculosos um valioso presente.
A porta da casa era feita de plástico grosso para impedir a passagem do vento úmido. Era a embalagem aberta de ração para cães, pregada num portal rústico de madeira. No centro da porta de plástico havia a cara feliz de um cão, com certeza de uma família rica. O quase sorriso do cão contrastava com a miséria estampada na face dos habitantes daquele casebre. O homem estava em pé, em atitude de respeito quando a porta de plástico foi aberta para um lado. Bem vestido, o negro meneou a cabeça em cumprimento e entrou agachado naquela choça, carregando nos braços o pequeno caixão. Todos se levantaram.
Em volta de uma pequena mesa jazia o corpo minúsculo e nu de uma menina recém-nascida. A mãe tinha em volta dos olhos e nos braços as marcas da violência que sofrera do brutamonte que ela chamava de marido e que aquela menina chamaria de pai. Não fosse a fatalidade, aquela desafortunada menina não poderia jamais escapar dessa dura realidade. Por certo o tempo curaria também essa chaga.
— Posso? — perguntou o homem à guisa de permissão.
As poucas pessoas que se encontrava ali se afastaram para que o homem fizesse o seu trabalho. Do pequeno caixão, ele tirou um macaquinho cor-de-rosa, uma carapuça e um par de sapatinhos impecavelmente limpos. Vestiu a roupinha no bebê com uma perícia digna de uma supermãe e o depositou carinhosamente no pequeno caixão, como se temesse despertá-lo do sono. Passou sua enorme mão no rosto daquele pequeno anjo e sorriu, afastando-se para que os familiares pudessem se aproximar. Alguns minutos depois, o homem perguntou com muito tato:
— Já posso fechar? Os familiares assentiram. Ele colocou a tampa no pequeno ataúde e levantou-o aos ombros. A chuva caía com vigor, inundando as ruas, o campo de futebol, tudo. Gabriel não se importava. Afinal, ele havia cumprido a missão que lhe foi determinada.
Emma ainda se lembra como se fosse hoje. É só ela fechar os olhos que ela vê um anjo negro, de ombros largos e um sorriso desenhado nos lábios, segurando pela mão uma menina de cabelos cacheados que ele chamava de Rafaela.


[1] REIS, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. É autor de Arremedo: Contos & Lorotas (122 pp.) e de Marcas do Infortúnio (332 pp.). Membro da Academia de Letras do Brasil – ALB, membro fundador da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás, membro da Associação Internacional dos Poetas del Mundo e Cônsul dos Poetas del Mundo, Entorno de Quirinópolis.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CASTELO DE ROMA

Uma...
Duas...
Três...
Quatro
pedras
preciosas:
Um castelo.

       Rubi — é o cintilar ambicioso dos olhos da águia;
       Ouro — caviar deglutido pelos astros da política;
      [Es] Meralda — lente dos olhos da meretriz;
        Ametista — mortalha que encobre a sua nudez.

Quatro rajadas,
Quatro ventos,
Quatro pedras se desprendem;
Ei-lo com o telhado onde se assentam os pés:

Ambição — alicerce que fundamenta o poder;
Mentira — a semente que fecunda a falsa democracia;
Orgulho — a couraça que protege os soberbos;
Raiva — néctar que fomenta as serpentes aladas.

Monstros que planam ao sabor do vento
Ventos que assopram
Pedras que caem
Edifícios que se desmoronam.
Ruínas...
Restos do que foi
Castelo de um grande amor!


REIS, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. Autor de Arremedo: Contos & Lorotas (2009, 122 pp.) e Marcas do Infortúnio (2010, 322 pp.) (romance).