SANTIAGO, Noemi de Mello. Análise crítica do romance “MARCAS DO INFORTÚNIO”, de Jonan de Castro Reis, Editora Kelps, Goiânia, 334 páginas.
Acabo de ler seu livro. Detalhe: fi-la em uma sentada só, uma vez que aproveitei um dia antes de Ana Flor chegar de Goiânia, e que também coincide com meus últimos dias de férias, ou seja, só agora e lamentavelmente, é que pude lê-lo. Lamento, sinceramente, não ter lido antes, pois merecia, mas bem-feito para mim, assim aprendo a que quando você me mandar qualquer material, eu devo parar tudo e ler, e comentar, porque o livro é bom.
Mas, antes mesmo que eu passe a fazer uma crítica (e quem sou eu para fazê-lo?) quero lhe dizer de algumas situações vividas na frente do PC durante a leitura de seu livro, sim, PC, sim, porque eu o li em modelo PDF, o que dificulta um pouco; afinal, não posso levá-lo ao banheiro, por exemplo!
Bom, o pulso fez um calinho, de tanto segurar o "mouse" e ir "rolando" a tela, mas até aí tudo bem, a leitura vale até dois calos na mão. Por alguns momentos meu estômago se pronunciou, e só ai é que eu descobri que já era hora de eu me alimentar, mas eu insistia que poderia ler mais um pouco, até algum trecho menos interessante e aí então me levantaria e iria "à caça" de algo para comer, resultado: quase tive um ataque anêmico de fome, porque o trecho desinteressante não veio, de jeito nenhum.
Depois tenho que lhe dizer que, eu creio que Deus quando criou o universo Ele ouvia música, porque é como diria Nietzche "a vida sem música seria um erro", então, e, para essa minha empreitada literária, convidei alguns artistas de que gosto e a seleção incluiu de Enya a Alan Jackson, uma discrepância, diria alguns e prefiro me sentar na cadeira do eclético, mas tudo bem, estamos aqui para falar de você e não dos meus gostos musicais.
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Pois bem, dileto amigo, vencidas todas as barreiras, das fisiológicas às musicais, vamos ao que interessa: Seu livro é um primor, sensível, inteligente, chocante em algumas passagens, mas algumas coisas me incomodam e eu vou tentar justificar meus desconfortos: essa mania de Mirny, Susy, Cameron, e Tony me irritam. Acho que você já pode superar essa fase de estrangeirismos desnecessários. Nenhum texto fica melhor porque os nomes grafados têm 2 "Y", 3 "W", 50 "L", mas julgo que podem ficar piores.
E, adjetivos como: "princesa", "bombom", e "boneca", pelo amor de Deus, que estejam banidos de seus textos a partir de hoje. Elas são horríveis e, se você continuar insistindo nisso, eu, humildemente, aceitarei e entenderei que essas são suas palavras registradas, mas aqui afirmo que não gosto delas; como mulher, lhe digo: Nós não gostamos de ouvir isso, quer dizer, eu e as que eu conheço; pode ser que sejamos um bando de ETs e que tem algumas por ai que se contentam com tais adjetivos em desuso.
O apelo sexual é muito forte e já tinha percebido isso em outros textos seus, parece-me uma necessidade urgente de você, o autor, se mostrar em sua própria sexualidade, por vezes contida, devido às questões religiosas, que lhe impedem ou reprimem você de se mostrar assim, como um ser também sexual, algo que não teria problema nenhum se não fosse a sociedade religiosa em que você está tão intrinsecamente inserido. Isso (a meu ver) não é nem bom, nem ruim, apenas diferente, porque o homem é um ser sexual por seu próprio instinto e ter que lutar com desejos é muito difícil, às vezes, explodem mesmo, e graças a Deus, que algumas vezes explodem em forma de literatura.
Meu querido Jonan, o rio Tietê se encontra localizado em São Paulo e não no Rio de Janeiro; lá eu não sei os nomes de rios que passam pela cidade, creio que devam existir alguns, mas nunca o Tietê, esse eu tenho certeza que é bem aqui em São Paulo mesmo, eu mesma, e minhas filhas, já fomos vítimas dele e de suas cheias, sabe, aquele momento em que você retratou tão bem, assim, quando a natureza decide pedir de volta seu espaço e nós seres arrogantes que somos, achamos que podemos contê-la. Retificado esse lapso geográfico e feitas essas observações, quero lhe afirmar que agradeço a confiança de me pedir uma crítica literária desse seu texto. Agradeço de coração, pois a leitura é inebriante, instigante e fabulosa.
Os recortes foram precisos, os paradigmas criados a partir dos pressupostos entre o que valeria mais, se a vida do homem ou a vida do animal foram, de forma magistral, bem desenvolvidos, deixando ao leitor a missão de responder a tais questões, coisa que me encanta, pois é tão desestimulante lidar com certos textos, em que o autor, ao se julgar dono da verdade já vai metendo em nossas goelas abaixo "as suas" verdades, as suas conclusões; agradeço também por isso. Chego, sozinha, a uma conclusão, mas não ouso aqui citá-la.
Entendi a estranheza de um dos seus prefaciadores que julgando ser o livro um Tratado sobre meio ambiente (rsrsrsrsr) se depara com um livro forte e intenso a tal ponto de fazer a gente ter ataque anêmico de fome, pela total falta de vontade de sair da frente do computador para ir procurar algo para comer. Claro que se quisermos, de forma equivocada, reduzi-lo a um tratado de meio ambiente, até poderia, reitero, equivocadamente.
Entendi a estranheza de um dos seus prefaciadores que julgando ser o livro um Tratado sobre meio ambiente (rsrsrsrsr) se depara com um livro forte e intenso a tal ponto de fazer a gente ter ataque anêmico de fome, pela total falta de vontade de sair da frente do computador para ir procurar algo para comer. Claro que se quisermos, de forma equivocada, reduzi-lo a um tratado de meio ambiente, até poderia, reitero, equivocadamente.
Seu texto mostra a total descrença em sistemas que já se mostram, e não é de hoje, falidos! Instituições municipais, estaduais, federais, corrompidas, Ordens de profissionais que se omitem dentro das "omertás", tão bem descritas por você. "Se for conveniente, se cale". Universidades que deveriam ser templos do saber e que se corrompem com bobagens muitas vezes, nada didáticas, desperdiçando, assim, talentos natos e reduzindo-os às regras de ABNT.
Porém, algo eu não consegui decifrar: qual é exatamente o sentimento que você nutre pelas mulheres? Elas aparecem, ou como verdadeiros monumentos de sexualidade a serem vistas, desejadas, exploradas e até violentadas, OU são mulheres submissas, omissas, ciumentas, ou ainda a "Tanga de Ferro", a chefe desiludida, frustrada com dois casamentos falidos (putz! parece alguém que eu conheço! rsrsrs), quais foram as mulheres que lhe marcaram tanto assim, para que o perfil de "suas" mulheres sejam tão extremados desse jeito? Ou assim, como Machado de Assis, em Dom Casmurro, você nos deixará a dúvida da traição? (risos)
SANTIAGO, Noemi de Mello. Historiadora, Licenciada em História e Geografia. Especialista em História do Brasil, Meio Ambiente e Filosofia.
Docente universitária para áreas de História, Filosofia e Meio Ambiente, Pós Graduação em História do Brasil pela Universidade Federal de Goiás, Pesquisadora da UFG para projeto da Usina Hidrelétrica de Canabrava-TO, EIA-RIMA na Cidade de Goiás, professora de Cursos Pré-Vestibulares e Ensino Médio. Atualmente leciona Inglês e Sociologia nos Colégios Tableau e Etip, em São Paulo, redatora da Revista Perfil Country em Goiânia-GO, mãe de três filhas e escreve algumas coisinhas nas horas vagas.
E-mail: noemidna@hotmail.com
