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sexta-feira, 29 de julho de 2011

CRÍTICA: MARCAS DO INFORTÚNIO

SANTIAGO, Noemi de Mello. Análise crítica do romance “MARCAS DO INFORTÚNIO”, de Jonan de Castro Reis, Editora Kelps, Goiânia, 334 páginas.


Acabo de ler seu livro. Detalhe: fi-la em uma sentada só, uma vez que aproveitei um dia antes de Ana Flor chegar de Goiânia, e que também coincide com meus últimos dias de férias, ou seja, só agora e lamentavelmente, é que pude lê-lo. Lamento, sinceramente, não ter lido antes, pois merecia, mas bem-feito para mim, assim aprendo a que quando você me mandar qualquer material, eu devo parar tudo e ler, e comentar, porque o livro é bom.

Mas, antes mesmo que eu passe a fazer uma crítica (e quem sou eu para fazê-lo?) quero lhe dizer de algumas situações vividas na frente do PC durante a leitura de seu livro, sim, PC, sim, porque eu o li em modelo PDF, o que dificulta um pouco; afinal, não posso levá-lo ao banheiro, por exemplo!
 
Bom, o pulso fez um calinho, de tanto segurar o "mouse" e ir "rolando" a tela, mas até aí tudo bem, a leitura vale até dois calos na mão. Por alguns momentos meu estômago se pronunciou, e só ai é que eu descobri que já era hora de eu me alimentar, mas eu insistia que poderia ler mais um pouco, até algum trecho menos interessante e aí então me levantaria e iria "à caça" de algo para comer, resultado: quase tive um ataque anêmico de fome, porque o trecho desinteressante não veio, de jeito nenhum. 

Depois tenho que lhe dizer que, eu creio que Deus quando criou o universo Ele ouvia música, porque é como diria Nietzche "a vida sem música seria um erro", então, e, para essa minha empreitada literária, convidei alguns artistas de que gosto e a seleção incluiu de Enya a Alan Jackson, uma discrepância, diria alguns e prefiro me sentar na cadeira do eclético, mas tudo bem, estamos aqui para falar de você e não dos meus gostos musicais. 
***
Pois bem, dileto amigo, vencidas todas as barreiras, das fisiológicas às musicais, vamos ao que interessa: Seu livro é um primor, sensível, inteligente, chocante em algumas passagens, mas algumas coisas me incomodam e eu vou tentar justificar meus desconfortos: essa mania de Mirny, Susy, Cameron, e Tony me irritam. Acho que você já pode superar essa fase de estrangeirismos desnecessários. Nenhum texto fica melhor porque os nomes grafados têm 2 "Y", 3 "W", 50 "L", mas julgo que podem ficar piores. 

E, adjetivos como: "princesa", "bombom", e "boneca", pelo amor de Deus, que estejam banidos de seus textos a partir de hoje. Elas são horríveis e, se você continuar insistindo nisso, eu, humildemente, aceitarei e entenderei que essas são suas palavras registradas, mas aqui afirmo que não gosto delas; como mulher, lhe digo: Nós não gostamos de ouvir isso, quer dizer, eu e as que eu conheço; pode ser que sejamos um bando de ETs e que tem algumas por ai que se contentam com tais adjetivos em desuso.

O apelo sexual é muito forte e já tinha percebido isso em outros textos seus, parece-me uma necessidade urgente de você, o autor, se mostrar em sua própria sexualidade, por vezes contida, devido às questões religiosas, que lhe impedem ou reprimem você de se mostrar assim, como um ser também sexual, algo que não teria problema nenhum se não fosse a sociedade religiosa em que você está tão intrinsecamente inserido. Isso (a meu ver) não é nem bom, nem ruim, apenas diferente, porque o homem é um ser sexual por seu próprio instinto e ter que lutar com desejos é muito difícil, às vezes, explodem mesmo, e graças a Deus, que algumas vezes explodem em forma de literatura.

Meu querido Jonan, o rio Tietê se encontra localizado em São Paulo e não no Rio de Janeiro; lá eu não sei os nomes de rios que passam pela cidade, creio que devam existir alguns, mas nunca o Tietê, esse eu tenho certeza que é bem aqui em São Paulo mesmo, eu mesma, e minhas filhas,  já fomos vítimas dele e de suas cheias, sabe, aquele momento em que você retratou tão bem, assim, quando a natureza decide pedir de volta seu  espaço e nós seres arrogantes que somos, achamos que podemos contê-la. Retificado esse lapso geográfico e feitas essas observações, quero lhe afirmar que agradeço a confiança de me pedir uma crítica literária desse seu texto. Agradeço de coração, pois a leitura é inebriante, instigante e fabulosa.

Os recortes foram precisos, os paradigmas criados a partir dos pressupostos entre o que valeria mais, se a vida do homem ou a vida do animal foram, de forma magistral, bem desenvolvidos, deixando ao leitor a missão de responder a tais questões, coisa que me encanta, pois é tão desestimulante lidar com certos textos, em que o autor, ao se julgar dono da verdade já vai metendo em nossas goelas abaixo "as suas" verdades, as suas conclusões; agradeço também por isso. Chego, sozinha, a uma conclusão, mas não ouso aqui citá-la.
Entendi a estranheza de um dos seus prefaciadores que julgando ser o livro um Tratado sobre meio ambiente (rsrsrsrsr) se depara com um livro forte e intenso a tal ponto de fazer a gente ter ataque anêmico de fome, pela total falta de vontade de sair da frente do computador para ir procurar algo para comer. Claro que se quisermos, de forma equivocada, reduzi-lo a um tratado de meio ambiente, até poderia, reitero, equivocadamente. 

Seu texto mostra a total descrença em sistemas que já se mostram, e não é de hoje, falidos! Instituições municipais, estaduais, federais, corrompidas, Ordens de profissionais que se omitem dentro das "omertás", tão bem descritas por você. "Se for conveniente, se cale". Universidades que deveriam ser templos do saber e que se corrompem com bobagens muitas vezes, nada didáticas, desperdiçando, assim, talentos natos e reduzindo-os às regras de ABNT.

Porém, algo eu não consegui decifrar: qual é exatamente o sentimento que você nutre pelas mulheres? Elas aparecem, ou como verdadeiros monumentos de sexualidade a serem vistas, desejadas, exploradas e até violentadas, OU são mulheres submissas, omissas, ciumentas, ou ainda a "Tanga de Ferro", a chefe desiludida, frustrada com dois casamentos falidos (putz! parece alguém que eu conheço! rsrsrs), quais foram as mulheres que lhe marcaram tanto assim, para que o perfil de "suas" mulheres sejam tão extremados desse jeito?  Ou assim, como Machado de Assis, em Dom Casmurro, você nos deixará a dúvida da traição? (risos)

SANTIAGO, Noemi de Mello. Historiadora, Licenciada em História e Geografia. Especialista em História do Brasil, Meio Ambiente e Filosofia.

Docente universitária para áreas de História, Filosofia e Meio Ambiente, Pós Graduação em História do Brasil pela Universidade Federal de Goiás, Pesquisadora da UFG para projeto da Usina Hidrelétrica de Canabrava-TO, EIA-RIMA na Cidade de Goiás, professora de Cursos Pré-Vestibulares e Ensino Médio. Atualmente leciona Inglês e Sociologia nos Colégios Tableau e Etip, em São Paulo, redatora da Revista Perfil Country em Goiânia-GO,  mãe de três filhas e escreve algumas coisinhas nas horas vagas.

E-mail: noemidna@hotmail.com





domingo, 24 de julho de 2011

GUEVARA E OS MORCEGOS


J. Castro[1]

DR. BRÁULIO, Terapeuta. Especialista em Casos de Depressão por Abandono de Minas de Exploração de Ferro.

O Dr. Bráulio era calvo, de pescoço esguio e boca de um sorriso obsceno. Por vezes se via fazendo analogias e traçando paralelos entre os eventos que compõem a soberba e complexa natureza humana. Acredita-se que essa faculdade não é dada a todos os conhecedores da personalidade humana, uma vez que há especialistas para cada área do conhecimento, assim como na Medicina. Mas, abrindo mão de muitos explicativos, por ora o Dr. Bráulio se vê analisando uma mina abandonada de exploração de ferro.
Basta dizer que a escultura monumental era bela, produtiva, mas talvez por um capricho dos deuses, não havia quem a explorasse em todo o seu potencial férreo. Acredita-se também que o abandono do explorador se deva à causa das tristezas, solidão e até de um começo de depressão da principal acionista daquela mina, felizmente acudida pelo cuidado quase paterno de um amigo terapeuta. Afinal, sabe-se que uma mina rejeitada é dormitório de morcegos, aranhas e até dos temíveis escorpiões. Assim, propõe-se aqui o inventário da mina em questão para o caso de algum investidor se interessar pela exploração. O potencial é muito promissor.
Situada na base de uma montanha soberba, em cujo topo sobressaíam as torres gêmeas, a caverna estava desabitada havia mais de três anos. As aranhas já haviam tecido suas teias por cima da fenda inóspita e quente daquele ambiente tachado injustamente de infértil pelo explorador incompetente. Uma gigantesca teia se emaranhava na porta da gruta, por onde não passava nada, além de morcegos sanguinários. Era uma jazida soberba e com muito potencial de exploração de ferro. Essa mina começou a ser explorada no final dos anos 90 por um investidor aventureiro, porém, inexperiente nesse ramo. Depois, gravemente endividado, o investidor fugiu para a Europa, deixando a mina abandonada. Isto justifica a consulta da principal acionista ao Dr. Bráulio. Segue aqui a transcrição do contato telefônico que antecedeu ao agendamento da sessão terapêutica:
— Alô! — ela disse.
— Alô! Dr. Bráulio, bom dia! — Em que posso ser útil?
— Não sei se posso dizer o mesmo — ela disse choramingando. O Dr. Bráulio percebeu que aquele caso tinha tudo para ser um caso difícil. Ele não se dignou a questionar o motivo. Ele sabia que quando uma cliente o procurava era porque estava à beira do precipício. Ele resolveu ganhar tempo:
— A propósito, estava indo para o lanche. — Gostaria de me acompanhar?
— Não, obrigada! — Ela agradeceu. Ele a incentivou:
— Você nem faz ideia, mas estou comendo pão com margarina e açúcar refinado. Aceita? — ela parecia bem mais solta agora.
— Eu, hein? Que cardápio é este —, pão, margarina e açúcar refinado? — ela perguntou um tanto admirada. Afinal, ela desconhecia aquele cardápio. Ele confirmou, mas já direcionando o foco da entrevista para o motivo que a fizera ligar para ele.
— Isto mesmo... Já que não tem pizza... — Ela reagiu à provocação. Afinal, ela estava brocada de fome.
— Pizza? E eu? — Você não pensa em mim? — O que acha que vou comer? Afinal, ela estava faminta, desamparada, abandonada. E ainda com a mina entrelaçada de teias de aranha. Ela continuou o desabafo:
— Você come pizza todos os dias, come pêra e, ainda escala as torres gêmeas. E eu? — ela estava quase gritando.
— Você me oferece pão com margarina e açúcar, é? Hummm! Estou arrasada! Realmente ela estava muito magoada. Foi então que o Dr. Bráulio mostrou a que veio:
— Está bem, desculpe. Olhe, de princípio vou enviar uma cobra bem grande para correr com os morcegos da sua caverna! — Ela riu. Parecia que o doutor acertou na mosca. Ainda rindo, ela disse:
— Acho que não precisa. Coitadinhos dos morceguinhos! Podem se assustar com a cobra. Tenho dó! O doutor ponderou que realmente era muito difícil entender a personalidade feminina. No entanto, ele não se deixou intimidar:
— Tendo uma caverna tão aconchegante, apesar de estar abandonada, até hoje você ainda se assusta com cobras?
— Às vezes me assusto, mas a verdade é que me sinto atraída por elas. Ela riu sem graça. O terapeuta aconselhou:
— Quando você vir a cobra se aproximando da sua caverna, é só gritar bem forte:
— Che Guevara! Os morcegos morrem de medo!
— Ela agora riu escandalosamente. Meu Deus! Isto é incrível!
— É tão simples assim?
— Claro! Acredite! Eles não resistem. É só gritar lá do fundo da caverna.
— Mas tem que ser esta frase? — ela perguntou ainda incrédula, devido à simplicidade da terapia.
— Sim. Não pode ser outra. — Ele explicou:
— Che Guevara foi um guerreiro muito temido. Ele explorou muitas cavernas inóspitas, outras foram conquistadas por força das armas, por isto os morcegos morrem de medo dele. Era só ele chegar e punha os morcegos todos para correr. Ela contra-argumentou:
— Mas, se eu gritar assim, estarei morta antes de fechar a boca.
— Por quê? Você ainda tem muito medo, ou a cobra é muito grande?
— Na verdade, a cobra é pequena, talvez por isto pareça inofensiva — ela confidenciou. Os morcegos não ligam muito para ela. Então o terapeuta ensinou:
— Faça o seguinte: Dê uns piparotes na cabeça dela para enraivecê-la. Ela fica rija como as najas do Egito. Assim ela tende a parecer maior do que parece. Mas tenha muito cuidado com a naja cuspideira. Ela atinge, principalmente, a boca e os olhos. O Dr. Bráulio percebia que a moça devorava as palavras dele agora. Ele continuou:
— Depois que ela estiver bem nervosa, prestes a cuspir você a introduz dentro da caverna. Não há morcego que resista — finalizou.
— Obrigada, doutor! — e desligou rindo.


[1] REIS, Jonan de Castro. Poeta, contista e romancista. Autor de Arremedo: contos & Lorotas e Marcas do Infortúnio (romance). Membro da Academia de Letras do Brasil – ALB, membro da Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás – ALESG, membro da Associação de Poetas Del Mundo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

OUTRA VOZ


Noemi de Mello Santiago[1]
(Mauá, 28 de abril de 2011)


Tarde fria desse dia, acabei de receber seu livro. Desempregada, mãe de três filhas, tenho tentado me concentrar nos afazeres domésticos, até mesmo, para tentar driblar as preocupações inerentes à minha própria vida.
Pois bem, logo após “preparar” a casa para uma faxina, (imagine a cena) — o carteiro se fez presente em meu portão. Ao visualizar o envelope pardo, o coração acelerou, o sorriso se abriu, já sabia do que se tratava. Avidamente abri o envelope — o grande sorriso tornou-se imenso ao ver que tinha uma dedicatória; mais do que saber que algumas linhas ali dentro, inseridas em algum texto, que eu não sabia qual, falavam de mim, ainda assim, tinha uma dedicatória. Sou leitora ávida, sou de certa forma “canibal” também, nada me passa despercebido.
Li, suguei cada palavra, não me contentei somente com a leitura, ternamente corri os dedos por cima daquele texto- aliás isso já se tornou hábito ao receber qualquer texto seu. É como se, ao passar os dedos por cima daquilo que você escreveu de próprio punho, eu pudesse sentir o carinho com o qual você escreveu, e, como se pudesse mais do que ler, mas “sentir” a vibração e “ouvir” o que as palavras “gritam” a cada pequeno texto.
Detenho-me no seu nome, na sua rubrica, beijo-a, beijo-a novamente. Imagem que quem a visse, acharia uma estupidez, mas para mim fazia todo o sentido. Uma assinatura é o resumo da pessoa é a forma reduzida de dizer... Este sou todo (a) eu. Então, pensando nisso, beijo todo você — por segundos, amo todo você.
A faxina foi completamente paralisada, agora, busco espaço entre a bagunça da sala, onde, desajeitadamente me sento. E, como uma pessoa faminta, ao ter um prato de comida fresca, fumegando, bem-feita, bem-temperada, e suculenta, já se poria a comê-la, eu devoro aquele livro.
Alguns textos eu já conhecia, outros, são para mim, incríveis novidades, vou me aprofundando não só nos textos, como nas minhas próprias lembranças, de perceber ali, muitas experiências que me foram contadas em noites quentes, entre sussurros, e segredos. Até que, vem o auge de minha emoção- me reconhecer num parágrafo. Foi chocante foi duro, foi sublime. Levou-me às lágrimas. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi agradecer: “obrigada pelo anonimato”. Não que saibam o que se passou entre nós, nunca escondi de ninguém — mas obrigada por ter me preservado da dor de saber que fui embora, deixando na porta uma caixinha, quisera eu ter nessa caixa, a exemplo de Pandora[2], todas as respostas para todas as perguntas que até hoje, não se calaram.
Leio novamente o texto, agora em voz alta para minha filha. Ela respira fundo e me inquire sobre a caixa. Ah! Aquela caixa de novo! Quisera eu que, ela, (a caixa), tivesse as respostas!
Não contente, leio o texto pela terceira vez e, as lágrimas quentes destoam da tarde fria, do rosto frio. Elas caem insistentes, me lembram, me machucam com os projetos adiados ou esquecidos.
Vamos ter um filho?”, (...) “Mulher minha tem que trazer no ventre, um filho meu.” (...), passando a mão carinhosamente pela minha barriga. “Vamos escrever um texto juntos?” (...) “Vamos morar juntos?” e as lágrimas rolam se encontram no queixo e ainda conseguem encontrar a blusa mais abaixo. Recomponho-me e continuo a ler. Mas como?
Aqueles versículos — a maioria meus favoritos — a maioria expressando meus próprios conceitos. Como? Eu sabia dessa afinidade espiritual?  
— Não, eu não sabia. Tinha apenas a certeza de que, como bons filhos do mesmo Pai, que como “crentes” na Verdade do Altíssimo, tínhamos algo em comum, mas não imaginava que era tanto! O livro termina, amo o posfácio — não conheço quem o escreveu, mas já sei que o admiro. O livro terminou, e eu. . . Eu estou aturdida, inebriada, tonta mesmo.
A vontade de começar tudo de novo me assalta, mas começar por onde?  
— Começar voltando para Cacoal-RO, onde tudo começou?
— Começar a tentar dar respostas, onde nem as perguntas se fazem mais audíveis?
— Não sei.
O tempo passou, o sentimento não passou — os estados mudaram – os estados geográficos — os estados civis — os estados de humor. Só uma coisa não muda: minha vontade de que você seja cada vez mais você! Inteligente, perspicaz, atrevido em procurar mais conhecimentos, destemido, intrépido, maluco até!
Um dia te disse que você parecia Dom Quixote. — Ainda dá tempo de ser sua Dulcinéia? Agora estou aqui, saí correndo para procurar papel e caneta. Mandei mensagem SMS agradecendo o livro, dizendo que ia lhe escrever algo. Acho que as folhas amareladas do velho caderno universitário vieram a calhar, rompendo em sentimentos confusos escrevo e erro algumas vezes, mas me recuso a passar a limpo, sinto que você também deva sentir o tamanho de tudo aquilo que se passa dentro de mim. E a cada erro aqui (corrigido ou não), lembro da minha condição de ser humano em construção.
A caneta se move num balé esquisito, quase que sozinha, independente, escreve, e escreve, meus sentimentos ficam à mostra —  estou despida emocionalmente.
Imagino o que se passará em sua mente e coração, quando ler tudo isso.  
— O que está passando?  
— Não sei! Termino aqui deixando um versículo que eu amo e que me traduz: Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos sem amor eu nada seria. (I Cor.13).
Apenas continue seu caminho, você já está na trilha do sucesso.


[1] SANTIAGO, Noemi de Mello. Jornalista – São Paulo – SP.
[2] Foi a primeira mulher que existiu, criada por Hefesto (deus do fogo, dos metais e da metalurgia) e Atena (deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da arte, da justiça e da habilidade) auxiliados por todos os deuses e sob as ordens de Zeus. Cada um lhe deu uma qualidade. Recebeu de um a graça, de outro a beleza, de outros a persuasão, a inteligência, a paciência, a meiguice, a habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Hermes, porém, pôs no seu coração a traição e a mentira. Feita à semelhança das deusas imortais, destinou-a Zeus à espécie humana, como punição por terem os homens recebido de Prometeu o fogo divino. Foi enviada a Epimeteu, a quem Prometeu recomendara que não recebesse nenhum presente dos deuses. Vendo-lhe a radiante beleza, Epimeteu esqueceu quanto lhe fora dito pelo irmão e a tomou como esposa.
Ora, tinha Epimeteu em seu poder uma caixa que outrora lhe haviam dado os deuses, que continha todos os males. Avisou a mulher que não a abrisse. Pandora não resistiu à curiosidade. Abriu-a e os males escaparam. Por mais depressa que providenciasse fechá-la, somente conservou um único bem, a esperança. E dali em diante, foram os homens afligidos por todos os males.

SEM SENTIDO


Sandra Mello[1]

Estúpida é a dor que sinto, e a sinto estúpida somente por ainda, então, não saber de fato qual adjetivo devo atribuir-lhe...

Enquanto nada o sei, a não ser o sentir (bem mal), continuo rotulando de estupidez o que me vale hoje no interior talvez quase certo o esconderijo profundo interior de meu pensar, pois de sentir não se faz necessário dizer, o fato está agora aqui... Eternizado até que o tempo lhe dê chances, nas páginas deste.

Ainda estou fora do rumo e esta é a única certeza de que não estou no caminho certo, pois do pouco que bem sei, não é aqui e nem hoje.

O lado bom (se é que tem) de ser e estar aqui, sabendo que não é o certo, é poder continuar procurando. A busca cansa; se desiste, não sei; quando o souber, todos saberão. Nem sempre a luta acaba quando se chega ao objetivo. Quem perde a batalha, chegou ao fim, mas não por ela, alguém ganhou e por esta razão findou-se a batalha.

De quem perdeu fala-se pouco, ninguém vai atrás de saber de como ficou sua vida depois da derrota, só sabe-se que a batalha acabou, pois houve vencedor... É patético, pois é óbvio que alguém ganhou, foi em cima de alguém que perdeu para que ele ficasse com os méritos.
Então, sem perdedores, não há como ser vencedor.

Acolho-me hoje a mim mesma, pois os pensamentos... Não sei se há alguém que consiga entender, decifrar jamais.

Corroo-me em dias lentos, que ágeis são apenas para facilitar a cronologia do meu sofrimento, mas para apartar-me de tal desespero parece este tranquilizado, inerte e petrificado.

A solução eu sei não se aproxima, a não ser, é claro, as inúmeras chances de romper a tudo, tudo, totalizando tudo mesmo, e mais nada.
Porém, as chances são tantas, mas a coragem, no entanto acovarda-se sempre... Só espero ser covarde por mais tempo, pois há da coragem aparecer para tudo mais ter fim.
É preciso coragem para sermos, também, covardes.

Meu silêncio ininterrupto, insolável, egoísta, quase nem mesmo a mim permito ouvir, nem falar e... Só sentir, mesmo sem sentido, sem ter tido, sem ter dito, só sentido... Sem tido...

Sem tudo e ao mesmo tempo... Sem nada.


[1] MELLO, Sandra. Acadêmica, Curso Análise de Sistema – São Paulo – SP.

domingo, 17 de julho de 2011

OPORTUNO AMANHECER


SANDRA MELLO[1]

Manhã acorda anseios, estes que, porventura dos dias, sequer dormiram, pois a ansiedade calava seu sono...

Guardo agora o que me resta, pois é tudo que posso por hoje.

Hoje...
E mais uma vez, mais uma chance. O dia ilumina o que as últimas horas esconderam... Amanhecem as oportunidades, eu tropeçarei nelas, mas não as deixarei escapar,

Hoje, sou a colecionadora, a caçadora de novas chances.

Serei a minha luz, estarei na procura, encontrarei meios e definirei novos fins.

Nada se acabará, antes que eu derrame minha última gota de esforço.

Não sou manchete do fracasso, nem tampouco ando no caos do desolamento. Sou forte, até que, em vão, tentem me provar o contrário.

Se minha vida foi sempre de lutas – muitas lutas – não temo seguir lutando até o fim, e assim viverei, sempre buscando, lutando, sem agredir, sem tomar...
Procuro ter apenas o que é meu de fato para seguir.

O "quase! não me satisfaz, o "quem sabe" não existe, quero, procuro e encontro totalidades e certezas. Não desisto, pois a proposta existe, e é de fato a maior segurança que tenho.

A cada novo dia as idéias clareiam com a luz da manhã, e é nisso que me apego... Tenho tudo que pedi, sou dona do meu caminho, então, ninguém mais é responsável pelos meus desafetos, pelas desventuras, nem tampouco por tantas e tantas vitórias que já alcancei.

Sou linha do meu traçado e nele, preencho minhas estórias, sou a única responsável por mim e por tudo que  me rodeia neste presente, mesmo que eu não tenha sonhado desta forma.

Não me agrado, mas não vou me degradar, o caminho está aí, o percurso existe e minha força de vontade persiste, então... Não me falta nada, possuo o que quis e amanha, terei mais, ou menos, basta pensar no que tenho hoje e no que farei pra que tudo isso mude.

Amanheceu!
Renascem os pedidos e as oportunidades, os obstáculos caminham lado a lado, e minha esperança, suplanta em todo espaço.

Vou viver hoje, sempre hoje!


[1] Acadêmica,  Curso Análise de Sistemas – São Paulo – SP.