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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Mensagem do Presidente da ALB-Paraná

Dr. José Feldeman, Ph.I
Presidente Estadual da ALB - Paraná - PR.


Exmo Presidente Executivo Imortal da ALB/GO José Faria Nunes, Ph.I.
Novos Nobres Imortais, Agostinho de Almeida Moreira – Aidenor Aires Pereira – Ana Luiza de Lima – Adelice da Silveira Barros – Adejar Vicente dos Santos – Arietto (Léo Teixeira) – Brasigóis Felício Carneiro – Cássia Vicente – Célia Siqueira Arantes – Dauro Guimarães – Eliene Aparecida Ferreira – Elizabeth Caldeira Brito – Elvis Souza Nascimento – Elzi M. La Guárdia – Gênio Eurípedes Assis – Geraldo Coelho Vaz – Janete Martins Medeiros – Jonan de Castro Reis – Joelma Gonçalves Rocha – Jacinto Euzebio Ferreira – Joana D’Arque de Freitas – José Mendonça Teles – José Ubirajara Galli – Lupércio Mundim – Lázara Ambrózia de Souza – Lêda Selma – Lionizia Pereira Martins – Luiz de Aquino Alves Neto – Maria Aparecida Gama de Almeida – Martiniano José da Silva – Ney Teles de Paula – Paulo Nunes Batista – Ravel Giordano de Lima Faria Paz – Rozaíres Guimarães de Lima Nunes – Waldomiro Bariani Ortêncio.
Externo-lhes as minhas mais profundas congratulações pela posse que se avizinha do nobre presidente e de todos os novos imortais conterrâneos que irão compor o Panteão Goiano da Academia de Letras do Brasil.
Em virtude de fatores inerentes a minha vontade, não poderei estar presente na solenidade que ora se realiza. Contudo, sinto-me feliz, envaidecido e orgulhoso por ter em conta que a minha indicação da pessoa do presidente para imortalizar os nomes de vosso estado, renderam frutos. Mais que isto, por todos os nomes dos escritores que estarão sendo empossados na data, vejo que de apenas uma pequena pedra que entreguei ao nobre confrade, transformou-a em diamante, lapidando-o com a categoria e nobreza que o nobre escritor possui incrustado em si.
Minha satisfação é incontida e imensa. Deixo, portanto, meus votos de sucesso a todos os integrantes do Panteão da ALB/GO, nomes que se destacam perante este imenso país e mesmo além de suas fronteiras, pelos seus valores, pelas suas capacidades, pelas suas batalhas pela cultura brasileira. O escritor qualquer que seja ele, é um poeta, ele manipula as palavras que lhe vêm à mente. Um escritor é o máximo do sublime, pois ele transmite por meio de suas palavras emoções, sentimentos recatados ou não, alegrias e tristezas, delírios, momentos de prazer e de sofrimento. Nas palavras de minha esposa, a escritora Alba Krishna, transforma suas mais profundas sensações/ Em cores dos sonhos mais belos,/ Em sons que reproduzem a melodia da criação,
Por isto, nobres escritores e escritoras, neste momento que assumem este novo papel na vida cultural do Brasil, começam a transgredir novas fronteiras, e carregar a bandeira da ALB/GO desfraldada aos ventos. Prezados Imortais, deixam de ser apenas soldados nesta batalha pela grandeza de nossos valores culturais , para ocupar posições de destaque frente aos pelotões da cultura que a cada dia ganha novos seguidores.
Sejamos, pois, um exercito único, cujas armas sejam canetas ou teclados de computadores, que espalharemos do Oiapoque ao Chuí nossas palavras, nossa literatura, nossa cultura, nossos valores.
Como presidente Estadual do Paraná, da Academia de Letras do Brasil, eu VOS SAÚDO COMO IRMÃOS, confrades e confreiras.
Paraná, 27 de outubro de 2010.

MARCAS DO INFORTÚNIO


gatafunhosculturais

Prof. Juliano Vieira – SP.



Não se deixem enganar pelo título de novela mexicana...


Marcas do Infortúnio é um grande romance da literatura brasileira contemporânea. 

Escrito por Jonan de Castro Reis e publicado pela Editora Kelps, de Goiânia no ano de 2010.

Embora o início possa soar um pouco estranho por conta dos capítulos introdutórios do livro serem dedicados a um crocodilo de nome Nick, e o modo como ele defende seu território atacando a tudo e a todos que ele vê pelo seu caminho. O curioso é que quando lemos a contracapa, temos a impressão de que Nick é um homem. E só a leitura mesmo do prólogo é que desfaz essa confusão da leitura de contracapa.

A única pessoa que tem uma boa relação com Nick é a garota Mirny, que o conhece desde pequena e é a única com quem o crocodilo se sente seguro, no entanto, a garota se muda para a cidade grande, onde vivenciará novas aventuras que a levarão ao infortúnio do título.
O romance de 334 pp não é cansativo para os leitores, por mais que abuse de flashes-backes e descrições pormenorizadas, a ação está sempre presente. E as mudanças de capítulos sempre traz um frisson, deixando-nos na expectativa do que é que pode acontecer com as personagens, sempre em situações-limite.

Outro dado curioso é o excesso de passagens eróticas. Há momentos que temos a impressão de estarmos lendo um conto erótico publicado em revistas masculinas, inclusive com uma linguagem vulgar e obscena. Nada contra, visto que o erotismo é algo natural e faz parte da sexualidade humana, e os personagens são extremamente humanos. Não há mocinhos não há vilões. Todos apresentam defeitos e qualidades. O maniqueísmo passa longe da obra, muito embora em alguns momentos a gente torça para que algum deles se dê mal. Nem mesmo Mirny é uma heroína perfeita, se formos levar em consideração algumas atitudes que ela toma no decorrer da trama.

Marcas do Infortúnio traz muitas reflexões em seu bojo: os valores morais, éticos, religiosos, reflexões que passarão despercebidas se o leitor não for um leitor atento às entrelinhas, pois a narrativa é fluída e à medida que os capítulos vão avançando não temos mais vontade de largar o livro.

PS. Jonan de Castro Reis é o mesmo autor de Contos de Arremedo, livro que foi apresentado a mim por intermédio do meu tio Laércio, de Uberlândia - MG. A princípio, ao ler a contracapa do livro de contas, não senti a mínima vontade de lê-lo, pois o resenhista havia comparado seus contos aos de Machado de Assis, o que considerei um sacrilégio. Demorei quase um ano para então folheá-lo e ler um conto. O primeiro conto me encantou. Li outro, mais outro, e quando vi tinha lido o livro todo. Não sei se Contos de Arremedo se equiparam aos contos de Machado de Assis, mas que os contos são excelentes, isso são. Fica na boca sempre o gosto de quero mais.

Marcas do Infortúnio também foi o mesmo tio de Uberlândia que me apresentou a obra, já que ele é amigo pessoal do autor. Me pediu que eu lesse e que entrasse em contato com o autor. Até me passou o e-mail dele. Mas como sou displicente, o perdi. Enfim, o livro eu li. Levei duas semanas. Mas o livro estava encostado desde outubro de 2010 na estante. Agora, tenho que devolver, e se por acaso achar o e-mail do autor, envio a ele minhas considerações.

UMA "MARGEM" E SEUS DETRITOS

Resenha





Prof. Dr. Ravel Giordano de Lima Paz
Universidade Estadual de Goiás
Unidade Universitária de Quirinópolis – GO.



Arremedo: contos & lorotas é – afora um romance inédito – o livro de estréia de Jonan de Castro, prosador nascido e residente em Quirinópolis, município incrustado no Sudoeste goiano. Região esta, esclareça-se, de formação recente e conflituosa, e à qual nem mesmo a recentíssima (e algo jotajotaveiguiana) “invasão” da indústria sucroalcooleira – e a despeito da importância desse processo nas políticas econômica e (sic) ecológica ora em curso entre nós – deu algum relevo no mapa nacional.

Tampouco esse processo e outros fundamentais na configuração histórica e política da região ganham propriamente relevo nas histórias de Jonan. Ainda assim, cada um desses contos e/ou lorotas transpira o odor local, principalmente no que deles se desprende das relações de poder, explícita ou implicitamente tematizadas em conflitos de homens (e mulheres), crianças ou bichos.

Aprendiz dos artifícios do apólogo e da alegoria em seu conluio moderno com a ironia, Jonan explicita sua dívida com Machado de Assis em uma das histórias impagáveis do volume, “Confidências de um finado”, ao mesmo tempo que assinala sua independência de tom e visão ao transformar um conhecido e primoroso conto machadiano em algo próximo a um samba do crioulo – ou “preto véio” – doido (e, como se não bastasse, míope).

Mas o primor construtivo também marca presença no volume – o que não significa obediência a algum padrão. “Coisas do coração” e “Até onde irei com meu Poisé?” testemunham, o primeiro, um rigor “poeano” na construção do desenlace, e o segundo, inversamente, a sutileza de uma inconclusão “tchekoviana”; mas em ambos um humor cortante – de um corte peculiaríssimo, ao mesmo tempo sutil e histriônico, e particularmente afeito ao gozo linguístico – atravessa, recostura e ressignifica, digamos que muito goianisticamente, os topoi e as estruturas: num, a tensão narrativa se dilui em surpresa, noutro, se condensa em uma epifania cômico-dramática. É verdade que bons textos como esses convivem com outros menos interessantes – alguns se imiscuindo pelo terreno da “filosofia” da autoajuda, estranho extremo para um admirador de Schopenhauer –, que o leitor decidirá se deve ou não desculpar como meras lorotas.

Se toda margem comporta seus detritos, os desse lugar à margem dos centros de decisões – ainda que em pleno Centro-Oeste brasileiro – que é o Sudoeste goiano apenas agora começam a se sedimentar na forma de reflexão e criação artística. Não é desprezível, portanto, o mérito de quem se aventura, ainda que discretamente como quem colhe flores (ver o conto a respeito), a pôr o pé na lama para extrair dela a matéria impura de uma prosa invocada.

REIS, Jonan de Castro. Arremedo: contos & lorotas. Goiânia: Kelps, 2009, 120 p.

Informações: jotacastro10@yahoo.com.br.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Capa do Livro Arremedo: Contos & Lorotas

Erasmo tem razão?

Dizem que a Mulher é um sexo frágil...

Frágil?

Ágil.

Ágio.

Plágio.

Mas que mentira absurda!...

Mágoa de um Poeta

Procuro nas mais belas canções um som que me embale
E na natureza, uma imagem que me inspire.
Devasso as águas,
As profundezas dos oceanos com seus mistérios,
Os pássaros, os animais, o céu.
Vejo uma estrela: metade estrela, metade mulher.
Os olhos turmalíneos são talhados num rosto de traços angelicais.
Um demônio. Bela.
Os lábios sensuais de morango emolduram com graça
A boca maliforme — a medida exata da mordida do pecado.
Ela desfila seu encanto na relva granítica
Os passantes esquecem o queixo ao vê-la passar.
Sigo sem rumo.
 Sozinho.
Com a mente despida,
Os olhos sem viço,
Amaldiçoo a minha existência.
O relógio biológico me censura:
Dezesseis horas. Em jejum.
Na esquina um quiosque.
Procuro uma moeda, a última.
Paro na porta, indeciso.
Ao lado um verme.
Sim, maltrapilho, sobre um vaso de detritos debruçado.
Em volta de seu corpo,
Centenas de moscas zumbem furiosamente,
Disputando a mesma porção.
Então os lábios se me abrem
Numa prece arrependida:
— Oh, Deus, por que me fizeste Poeta?!

QUEM SOU E O QUE SOU

JONAN DE CASTRO REIS, o J. Castro nasceu em Jandaia (GO), onde viveu a sua infância. Aos sete anos mudou-se para Goiânia, onde concluiu a primeira fase do Ensino Fundamental. No ano de 1981 mudou-se juntamente com os pais para Quirinópolis, no interior do estado de Goiás. Nesta cidade, concluiu a segunda fase do ensino fundamental e o ensino médio. Em 2003, graduou-se em Letras e, em 2007 especializou-se em Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Alfabetização, pela UEG – Universidade Estadual de Goiás.
Romancista, contista e poeta, J. Castro é membro da ALESG – Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás, membro da ALB – Academia de Letras do Brasil e também Cônsul da Associação Internacional de Poetas Del Mundo, para o Entorno de Quirinópolis. Premiado em 1º lugar em Poesia, categoria Regional; 1º e 3º lugares em Conto, categorias Local e Regional, respectivamente, no Concurso Nacional de Literatura Revelações do Terceiro Milênio, volume II, em Caçu (2004). Integra as Antologias “O que os homens/mulheres estão escrevendo”, com o poema “Divagações” (2004); “Amor, Sublime Amor”, com o poema “Olhando nos Olhos” (2006); “Para não dizer que não falei de...”, com o poema “Apenas três Letras” (2007) e Revelações do Terceiro Milênio, volume IV, com o conto “Coisas do Coração” e o poema “A lição do Mestre” (2008).
No entanto, Arremedo: Contas & Lorotas (2009) – por ser o seu primeiro livro solo, esta obra marca uma fase importante na vida do autor, porque significa o seu rompimento com as amarras da insegurança e do medo de se expor. De outra forma não menos honrosa, o romance Marcas do Infortúnio (2010) consolida o seu compromisso com a cultura, ao propor uma observação das mazelas que assolam a humanidade nos séculos atuais.